Thiago Rocha Pitta: O ovo como uma esfinge

7 March - 18 April 2026
Overview

ABERTURA

Sábado, 07 de Março de 2026, 11h-17h

 

PERÍODO EXPOSITIVO

07 Março - 18 Abril, 2026

 

TEXTO CRÍTICO

CAMILA BECHELANY

 

SALA 1   Rua Jerônimo da Veiga, 131 - Itaim Bibi, São Paulo

 

HORÁRIO DE VISITAÇÃO

seg - sex, 10h30-19h / Sáb, 11h às 16h 

Galeria Marília Razuk apresenta “O Ovo como uma Esfinge”, exposição individual de Thiago Rocha Pitta, com texto crítico de Camila Bechelany.

A mostra reúne pinturas em afresco e aquarelas, instalação e escultura, e busca aprofundar a investigação do artista sobre a paisagem como processo vivo, em constante transformação.


Desde o início de sua trajetória, Thiago Rocha Pitta desenvolve uma prática marcada pela observação atenta das sutis mutações do mundo natural — da erosão lenta da areia às variações atmosféricas e às dinâmicas invisíveis que atravessam a matéria. Sua produção desloca a noção tradicional de paisagem como representação estática e a compreende como experiência física e temporal. Como afirma Camila Bechelany, “distante da tradição da paisagem como imagem estabilizada do território, seu trabalho opera a partir da experiência direta com matérias naturais e evoca temporalidades que excedem a escala humana”.

 

Entre as linguagens presentes na exposição, o afresco de Thiago Rocha Pitta se destaca. Técnica que o artista aprofundou na Itália, onde estudou seus procedimentos tradicionais, o afresco implica pintar diretamente sobre a argamassa ainda úmida, permitindo que o pigmento mineral se fixe quimicamente à superfície durante o processo. Trata-se de um método que exige precisão, tempo e domínio.

Ao incorporar o afresco à sua prática contemporânea, Rocha Pitta ativa uma técnica histórica associada à permanência e à memória, mas a coloca em diálogo com sua investigação sobre transformação. Os pigmentos, integrados à cal, tornam-se parte estrutural da superfície, enquanto pequenas variações de umidade, temperatura e absorção produzem nuances imprevisíveis. Assim, mesmo em um procedimento milenar, o artista mantém sua postura de mediador: “os elementos que constituem o corpo físico das obras […] não são tratados como signos simbólicos, mas como agentes ativos”, escreve Bechelany.

 

Ao trazer para o espaço expositivo fragmentos do mundo que continuam em mutação, seja na escultura, na instalação ou no afresco, Rocha Pitta reforça a ideia de que “a paisagem é um acontecimento”, segundo Camila Bechelany. A galeria torna-se, assim, extensão do ambiente natural — um campo no qual tempo geológico, memória histórica e experiência sensível se entrelaçam.

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