BRUNO FARIA: O SERTÃO VAI VIRAR MAR

24 Setembro - 29 Outubro 2022
Apresentação

BRUNO FARIA

O sertão vai virar mar

 

TEXTO 

Guilherme Wisnik. - Acesse o texto

 

ABERTURA

Sábado, 24 de Setembro de 2022

 

PERÍODO EXPOSITIVO

24 de Setembro - 29 de Outubro de 2022

 

HORÁRIO DE VISITAÇÃO

seg- sex, 10h30-19h / Sáb, 11h às 16h 

Tel: +55 11 3079-0853 

 

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Em sua nova individual, Bruno Faria traz diferentes perspectivas históricas do Brasil e desloca a paisagem do nordeste para São Paulo

 

Em O SERTÃO VAI VIRAR MAR,  na Galeria Marília Razuk, o artista traz um conjunto inédito de instalações, desenhos, pinturas e um vídeo e propõe novas narrativas sobre a história do país

 

É imerso na história do Brasil e nos marcos que definiram a identidade contemporânea do país que o artista pernambucano Bruno Faria desdobra sua atual produção artística. À sua nova exposição, O SERTÃO VAI VIRAR MAR, em cartaz a partir de 24 de setembro na Galeria Marília Razuk e com texto do crítico Guilherme Wisnik, ele traz instalações, desenhos, pinturas e um vídeo onde divide com o público suas reflexões e críticas acerca de momentos históricos como a Guerra de Canudos e o Grito da Independência, fazendo um paralelo com as intempéries políticas vividas no Brasil da atualidade.

 

Abrindo a exposição, a instalação Desarranjo (2022), faz das paredes da Galeria uma grande partitura musical que, ao invés de trazer notas musicais, apresenta perfurações e buracos. Compondo a obra, um aparelho de toca discos reproduz o Grito da Independência. 

 

“Esse trabalho nasce da própria história do Hino Nacional e seu contexto atual, apresentando novas perspectivas e reflexões críticas sobre ele”, explica o artista. “Criado com o intuito de comemorar a Independência do Brasil -  que neste ano é comemorado em seu bicentenário - o hino, que em sua história representava um ato de independência e liberdade da nação, hoje se apresenta como uma contradição, sobretudo em relação ao momento social e político que o país atravessa”, completa Faria.

 

De diferentes formas, Bruno Faria convida o público a refletir sobre novas narrativas da história do Brasil. É o que faz em Introdução à História do Brasil (2022), instalação composta por uma coleção de 52 moedas, com pequenos verbetes na imagem de cada uma. Neste trabalho, Bruno convidou  estudantes de ensino médio a participar, são alunos do Ginásio Pernambucano, em Recife - primeira escola pública em funcionamento no país, fundada em 1825, por onde passaram figuras emblemáticas da história brasileira, como Ariano Suassuna, Assis Chateaubriand e Clarice Lispector. 

 

Em oficinas conduzidas por Bruno Faria, os estudantes criaram novas biografias para personalidades como Pedro Álvares Cabral, Tiradentes, Padre Anchieta, Dom Pedro I e Cacique Tibiriçá. O resultado visto na instalação é uma nova narrativa sobre a história do Brasil, escrita a partir de olhos críticos, políticos e decoloniais. 

 

Na obra que empresta o título à mostra, O SERTÃO VAI VIRAR MAR (2022), Bruno Faria desloca paisagens típicas do nordeste brasileiro para São Paulo. A obra nasce a partir da frase proferida em 1833 pelo líder dos Canudos, Antônio Conselheiro, quando o beato fundou o Arraial de Canudos, no Sertão da Bahia, que viria a se tornar o histórico palco da Guerra de Canudos. Bruno Faria retoma esse fato histórico no presente ao criar uma grande instalação composta por 110 pinturas que retratam a paisagem litorânea e o sertão nordestino produzidas através do olhar de artistas locais do Recife. 

 

A paisagem, que é uma das marcas da produção do artista, aparece novamente em Paisagem Falida (2022), obra em que Faria retoma a história da empresa HELIOS Carbex e  faz uso do antigo e hoje raro papel carbono símbolo da indústria. Para a construção da obra, folhas de carbono foram usadas como matriz para uma série de desenhos de paisagem, imagem presente na superfície da própria folha. 

 

Ao percorrer a obra, o visitante poderá observar o  conjunto de desenhos apresentando uma paisagem que parece estar em movimento, se dissolvendo, através de um jogo cinético nos quais os desenhos e a montagem são criados. “ É uma paisagem que se dissolve remetendo à falência da fábrica e também a tantas outras empresas que tem falido atualmente no Brasil, assim como o descaso pelo Governo com o meio ambiente, aqui simbolicamente representado através da paisagem presente na obra”, explica o artista.

 

No vídeo Natureza-Morta (2022), Faria parte de uma apropriação de trechos dos áudios da novela Vale Tudo (1988), em que a personagem Odete Roitman vivida pela atriz Beatriz Segall faz duras críticas sobre o país. Passados 34 anos, discursos de autoritarismo, carregados de preconceito e racismo vividos na ficção pela telenovela, algo que deveria ser inaceitável, é reproduzido e visto de forma natural na vida real por muitos brasileiros hoje.

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